Violência como consequência do bullying: veja como prevenir tragédias:
O médico ressalta que há um padrão que se observa nesse tipo de situação: além de sofrerem bullying, os atiradores têm fácil acesso às armas de fogo e costumam apresentar problemas comportamentais ou alguma psicopatia.
O fato é que situações como essa poderiam ser evitadas com a observação atenta dos pais e da escola. Ou seja, é possível prevenir acontecimentos similares se a família e a intuição de ensino trabalharem juntas. Também vale lembrar que, além desses casos extremos de violência, o bullying é um grande responsável pelo abandono escolar, reprovação, mudanças constantes de escola e problema de saúde como depressão, fobia e síndrome do pânico.
A seguir, confira dicas do psiquiatra Gustavo Teixeira para identificar o risco precocemente e ajudar a criança.
– As escolas não podem ignorar a existência do bullying. É fundamental que se criem políticas públicas para tornar o assunto presente em todas as escolas, de maneira permanente, por meio de programas anti-bullying. A direção escolar precisa encarar o assunto com seriedade e trabalhar o tema com os alunos desde cedo, para conscientizar as crianças sobre o respeito às diferenças e à individualidade.
– Os professores e funcionários da escola devem estar preparados para identificar o bullying e dar a devida orientação ao alunos envolvidos, levando o caso à direção, que irá comunicar as famílias para trabalhar a questão em conjunto.
– Os pais e professores devem estar especialmente atentos às crianças mais fechadas, tímidas e com dificuldade para fazer amigos. Elas tendem a ser o alvo do bullying com maior frequência. Essas crianças costumam ter dificuldade para pedir ajuda aos adultos e acabam não conseguindo se livrar das situações incômodas.
– Repare se o seu filho reclama muito para ir à escola e se queixa sobre como é tratado. Se ele conta que não tem amigos, nunca é convidado para festinhas e diz que não quer fazer aniversário porque não tem quem chamar, fique de olho. Ele pode estar sofrendo com o bullying e talvez nem consiga se manifestar. Nesse caso, entre em contato com a escola para investigar a situação e entender o que se passa. No geral, a terapia cognitivo-comportamental somada ao trabalho da escola junto aos agressores costuma dar bons resultados.
– E, por mais óbvio que pareça, ainda é preciso lembrar: nenhuma criança ou adolescente pode, em hipótese alguma, ter acesso a armas de fogo. Elas sempre trazem um potencial risco de acidente.
Um grande problema
Um levantamento realizado pelo Unicef no ano passado com mais de 2 milhões de jovens de todo o mundo revelou que 9 em cada 10 acreditam que o bullying é um problema generalizado em suas comunidades. E dois terços dos entrevistados dizem que já sofreram bullying em algum momento."Bullying, incluindo o bullying on-line, continua sendo um risco, em grande medida incompreendido, ao bem-estar das crianças, dos adolescentes e dos jovens", disse a assessora sênior de Proteção Infantil do UNICEF, Theresa Kilbane, em nota oficial da instituição. "Para acabar com esse tipo de violência, temos de sensibilizar o público para o impacto negativo do bullying, capacitar professores, pais e colegas para identificar riscos e comunicar incidentes, e prestar assistência e proteção às vítimas".
Como as crianças e adolescentes estão cada vez mais conectados às tecnologias e redes sociais, é preciso que os pais fiquem de olho não só no mundo real, mas também no virtual. Muitas vezes, o bullying acontece na tela de um smartphone. De acordo com a quarta edição da pesquisa “Escola Digital Segura”, divulgada pelo Instituto iStart, que atua na disseminação de conteúdos de ética e segurança digital, 48,4% das instituições de ensino registraram incidentes de cyberbullying nos últimos dois anos.
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